Merseyside affair
A situação ocorrida nos “scousers” parece ser de análise simples, pois tratava-se de um Manager contratado pela Administração anterior e que procurava apenas agarra a equipa ate à chegada dos fundos que lhe haviam sido prometidos em Agosto mas que afinal so chegariam em Janeiro. Até lá, Roy Hodgson era suposto fazer o melhor possível (alguém me pode explicar o que é “o melhor possível” para o Clube com mais títulos na Liga Inglesa e o terceiro com mais títulos continentais?) e aí “acertar o passo”.
Apesar de ser adorado e respeitado (recorde-se que estamos a falar do Premiership Manager of the Year 2009/10) quer pela nova Administração, quer pelos jogadores, quer pelos adeptos, o problema é que RH não tinha unhas para tocar aquela guitarra e gradualmente foi perdendo o apoio da imprensa, do The Kop, do balneário e consequentemente Henry Ford viu-se forçado a demiti-lo. Embora RH não tivesse tido o sucesso esperado, o carinho manteve-se e foi com alegria que os adeptos dos “Reds” viram-no assumir o comando técnico do W.B.A.
Com a sua saída, havia que contratar um substituto e levar a época a um bom porto (leia-se, posicionamento na Liga que permitisse uma participação nas Competições Europeias da próxima época) e isso viria a originar alguma especulação sobre os nomes a assumir a posição de Manager, com especial incidência em nomes como Steve McLaren (alguém que já comprovou claramente ser alguém sem capacidade para uma função de tamanha envergadura), André Villas-Boas (possivelmente, algo “verde”) e Didier Deschamps (com quem alegadamente existe um acordo de cavalheiros com vista a época 2011/12, o que a meu ver é o mesmo que nada).
Face à inexistência de qualquer acordo para o assumir imediato de funções, a Administração decidiu apostar na prata da casa e fez regressar Daglish (a.k.a. King Kenny) que com o seu entendimento do que é o Clube e a forma como o plantel está construído resolveu exterminar o esquema aborrecido e sem resultados práticos do 4x2x2 pois o mesmo sabia (como qualquer pessoa que acompanhava os jogos da equipa) que há muitos anos que o plantel estava montado para jogar em 4x2x3x1, contratou Steve Clarke (ex-adjunto de Mou no Chelsea) para treinador de campo e com resultados já visíveis e corrigiu posicionamentos, sendo um deles vital para o actual sucesso que a equipa começa a obter. Refiro-me obviamente ao nosso patrício Raul Meireles que deixou de jogar na direita onde claramente estava em sub-rendimento.
Interessante será ver como irá a equipa gerir o “pequeno ajuste” na frente de ataque, onde ocorreu a saída de um desmoralizado “El Niño” que não já causa furacões e que de quem se diz ter uma lesão vitalícia para dar lugar a um “sedento” Andy Carroll (que infelizmente ainda não se estreou devido a lesão mas que em breve assumirá o papel de “pinheiro” que esta equipa procura desde a saída de Peter Crouch) e ao Uruguaio Luíz Suarez, neto de um histórico jogador Espanhol (que no meu ponto de vista foi verdadeiramente injustiçado quando a FIFA não o inclui na lista dos jogadores Europeus do Século XX) e que chega à cidade dos Beatles após um excelente Mundial e duas épocas onde facturou mais de 80 golos ao serviço do Ajax e da sua selecção. Ou seja, ambos em ponto de rebuçado para chegar e vingar num “grande” e em condições de fazer uma grande tripla com Dirk Kuyt.
Nestas movimentações, o diferendo foi negativo em £7,8m para o Liverpool F.C. ou não? Repare-se que se o Clube já iria gastar £22,8m em Luíz Suarez então este valor até que não é negativo mas sim uma mais-valia pois a equipa passa agora a dispor de 2 avançados dispostos a darem o seu melhor pela equipa em vez de um (Fernando Torres que há já algum tempo que ninguém via um esforço real por parte do mesmo e que auferia um ordenado bastante elevado) e ganha £15m, os quais pode adicionar algum montante disponibilizado pela Administração no verão, mais eventuais lucros de transferências e de salários poupados para poder colmatar as deficiências no lado esquerdo e em pelo menos um médio-defensivo (pois até hoje a saída de Xabi Alonso nunca foi realmente compensada).
Do meu ponto de vista, importa também analisar o que fazer com jovem jogadores como Martin Kelly, Danny Wilson, Daniel Ayala, Jay Spearing, Jonjo Shelvy e Dani Pacheco, os inadaptados emprestados como Paul Konchesky e Alberto Aquilani, os que ainda procuram adaptação como Fábio Aurélio, Joe Cole, Christian Poulsen e Milan Jovanovic e os que claramente não têem lugar no plantel como David N’Gog e Lucas Leiva.
Haverá também que se decidir quem irá comandar a equipa se Didier Deschamps, ou se deverá manter a equipa técnica actual liderada pelo “interino” King Kenny.
Alguém imagina este desfecho? Será bom ou mau? Aceitam-se prognósticos da forma habitual.
Se tem algum tópico que gostaria de ver ser debatido neste espaço, envie-nos uma mensagem para o email: bernardo@planetatuga.com
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